Nascido em 2010, o Nissan Juke foi o provocador que abriu caminho aos B‑SUV de estilo vincado. Polarizou gostos, vendeu muito e fixou uma imagem forte que a 2.ª geração (F16, 2019‑pres.) soube modernizar sem perder o ADN. A passagem para a plataforma CMF‑B trouxe mais distância entre eixos e uma bagageira competitiva nas versões a gasolina (422 L), ao mesmo tempo que a eletrónica e os ADAS deram um salto. Em 2022 chegou o Hybrid 1.6 (143 cv), que melhora a eficiência com um sistema multi‑modo sem embraiagem e travagem regenerativa. O facelift de 2024 atualizou o interior com dois ecrãs de 12,3'', novas combinações de acabamentos (incluindo o regresso do amarelo) e um acerto de gama centrado no 1.0 DIG‑T (114/117 cv) e no Hybrid. Dinamicamente, continua mais ágil que a média, embora com conforto dependente do tamanho das jantes. No usado, o F15 (2010‑2019) oferece variedade mecânica — 1.6 atmosférico, 1.2 DIG‑T, 1.5 dCi e 1.6 DIG‑T — e versões de culto como o NISMO RS. Requer, porém, verificação atenta de campanhas/TSB históricos (sensor de pressão de combustível, CVT e corrente em unidades específicas).
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Quando o Nissan Juke foi revelado, em 2010, o segmento B‑SUV praticamente não existia. A Nissan, que já tinha desbravado caminho com o Qashqai, decidiu aplicar a mesma lógica de ousadia a um formato mais pequeno e urbano. A aposta foi estética e emocional: formas musculadas, óticas divididas em três níveis e uma cintura alta que remetia para um coupé. O objetivo era atrair compradores que queriam algo diferente de um utilitário clássico, e disputar terreno aos primeiros crossover de cidade que começavam a despontar. Apresentado no Salão de Genebra de 2010, o Juke arrancou produção em Sunderland (NMUK) para a Europa, tornando‑se rapidamente num ícone de estilo entre os subcompactos. A primeira geração, código F15, assentava na plataforma B da Nissan e estreou com motores 1.6 a gasolina (117 cv), 1.5 dCi (110 cv) e, mais tarde, o 1.2 DIG‑T (115 cv), sempre com um posicionamento muito próprio: mais divertido e chamativo do que prático. Em 2011, a gama ganhou o 1.6 DIG‑T de 190 cv com caixa manual de 6 ou CVT Xtronic e opção 4x4 All Mode 4x4‑i, sublinhando a veia desportiva do modelo. O interior herdou o módulo I‑CON, um comando multifunções que alternava entre climatização e modos de condução, e a imagem exterior foi sendo afinada com um facelift relevante em 2014, que também trouxe a introdução do 1.2 DIG‑T e melhorias de equipamento. Ao longo do ciclo F15, o Juke foi alvo de versões especiais e de um capítulo quase mítico: o Juke NISMO RS, com até 218 cv nas versões manuais (214 cv com CVT AWD), que afinava chassis e travões para um uso mais entusiasta. Ainda mais radical foi o Juke‑R, uma série ultracurta montada pela RML/Severn Valley Motorsport com o V6 biturbo do GT‑R, que cimentou a aura irreverente do modelo e revelou a disponibilidade da Nissan para experiências de imagem. Em paralelo, a distribuição global do Juke incluiu mercados como a China, onde foi vendido um derivado Infiniti ESQ, e regiões de CKD/produção local. A maturidade comercial não iludiu alguns pontos a rever. Em unidades F15 de 2011–2014, a Nissan promoveu um recall (R1418) para o sensor de pressão do rail de combustível. Nos EUA, houve uma campanha voluntária (P4213) para substituir a corrente do 1.6 DIG‑T MR16DDT em anos específicos, além de TSBs para a CVT (limpeza de arrefecedores e procedimentos de calibração/TCM). Em inspeções de usados europeias, foram apontados desgastes de suspensão, eficácia do travão de estacionamento e pequenas avarias elétricas em exemplares mais antigos — nada que toldasse o sucesso, mas relevantes na compra informada. A segunda geração, F16 (2019‑pres.), foi um virar de página. A adoção da plataforma CMF‑B aumentou o espaço interior e a bagageira (422 L na gasolina), melhorou estruturas e trouxe bases modernas para ADAS e infotainment. O motor de arranque foi o 1.0 DIG‑T de 117 cv, com caixa manual de 6 e, pela primeira vez, uma DCT de 7 relações. Em 2022, alinhado com a Europa, surgiu o Juke Hybrid 1.6 (143 cv), que aproveita a arquitetura multi‑modo sem embraiagem da Aliança, capaz de circular longos períodos em elétrico urbano e reduzir consumos. O ciclo de vida do F16 ganhou um facelift em 2024, centrado no habitáculo — dois ecrãs de 12,3'', conectividade atualizada e novas especificações (N‑Sport, Tekna+), além do regresso da icónica cor amarela. A calibração dinâmica manteve a agilidade que sempre distinguiu o Juke, mas continua a privilegiar estilo e resposta imediata face à derradeira amplitude prática de alguns rivais (Captur, Kamiq, T‑Roc). Ainda assim, evoluiu no ruído de rolamento e no perfil de equipamento de segurança ativa. Em termos de impacto cultural, o Juke fixou um arquétipo: o B‑SUV “statement”, escolhido por quem quer um objeto de design tão relevante quanto o automóvel em si. A sua silhueta com puxadores traseiros camuflados e faróis circulares tornou‑se reconhecível nas cidades europeias; versões como a NISMO RS alimentaram a conversa em fóruns e redes sociais, e o Juke‑R garantiu manchetes globais. Para o comprador português em 2026, a radiografia é clara. O F15 é a via mais económica de entrada, mas exige validação de recalls e atenção a CVT e suspensão. O F16 1.0 DIG‑T 114/117 cv é o equilíbrio preço/tecnologia, suficiente para A2/A1 e travessias urbanas, enquanto o Hybrid 1.6 é o campeão de consumos e suavidade — a escolha natural de quem faz cidade e periferias. O valor residual permanece sólido pela imagem forte, e o facelift 2024 reforça o apelo no novo e seminovo. No mercado de usados português, os F15 2010–2016 a gasóleo/gasolina vivem entre 7–12 mil euros, subindo nos últimos anos de produção e em NISMO; os F16 2020–2022 1.0 DIG‑T rondam 16–23 mil euros, e o Hybrid/Facelift 2024 pode chegar aos 30 mil, alinhado com rivais híbridos. O perfil de comprador típico valoriza estilo, tecnologia de conectividade e facilidade urbana, aceitando um espaço traseiro e visibilidade piores do que nos mais pragmáticos do segmento. Em suma, o Juke amadureceu sem perder carisma: de pioneiro estiloso passou a urbano moderno com opção híbrida convincente e um arsenal digital atualizado, mantendo‑se fiel ao papel de B‑SUV que não se confunde com nenhum outro.