O Fiesta foi, durante décadas, o barómetro do segmento B: compacto, leve e afinado para a condução diária. A sexta geração europeia (2008) universalizou a plataforma B, afinando dinâmica e segurança, e a actualização de 2013 introduziu os EcoBoost e a caixa PowerShift em versões específicas. Em 2017 chegou a geração final, com interior mais limpo, mais ADAS e estreia dos EcoBoost MHEV 48V (125/155 cv) que trouxeram maior suavidade e consumos contidos. O ST elevou a fasquia com o 1.5 de 200 cv e um chassis exemplar. A produção terminou em julho de 2023, fechando um ciclo de sete gerações e mais de 22 milhões de unidades. No usado, permanece uma escolha lógica pela relação diversão/consumo e custos de manutenção previsíveis quando bem mantido.
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Quando a Ford lançou o projecto “Bobcat”, em 1972, a Europa exigia um subcompacto leve, prático e frugal. O resultado foi o Fiesta Mk1 (1976), o primeiro Ford de tração dianteira de grande sucesso e verdadeiro hatchback global da marca. Produzido em Valência (Almussafes), Dagenham e Colónia, combinava motores Kent/Valencia de 950–1300 cm³ com caixa manual de 4 velocidades e um peso-pluma que o colocava como alternativa directa aos Renault 5, Fiat 127 e Volkswagen Polo. As versões S, Ghia e o XR2 de 1,6 l cimentaram uma imagem jovial e acessível. [Wikipedia Mk1] Em 1983, o Mk2 actualizou estética e técnica para receber o motor CVH e, crucialmente, a caixa manual de 5 relações. O XR2 passou a 1,6 CVH (~96 cv), mantendo a filosofia hot‑hatch leve. O chassi manteve soluções simples (McPherson à frente, eixo traseiro rígido), mas a revisão de travões e direcção melhorou a utilização urbana. [Wikipedia Mk2] O Mk3 (1989–1997, BE‑13) foi a viragem estrutural: nova plataforma, cinco portas e derivações desportivas XR2i (104–110 PS) e RS Turbo (133 PS) antes do RS1800 (Zetec 130 PS). O Fiesta tornou‑se, então, uma base para o Courier e séries monomarca no Reino Unido, mantendo-se competitivo num mercado dominado por Clio, 205 e Corsa. [Wikipedia Mk3] O Mk4 (1995) trouxe o Zetec‑SE (1.25/1.4) e um restyling profundo; o facelift de 1999 (vulgo Mk5 no Reino Unido) introduziu o Zetec S 1.6 e refinou segurança e equipamento. Continuou a ser produzido em Almussafes, consolidando a presença ibérica do modelo e garantindo uma oferta abrangente de gasolina Endura‑E/Zetec‑SE e diesel Endura‑D/TDDi. [Wikipedia Mk4] A quinta geração europeia (2002–2008; por vezes apelidada Mk5/Mk6 conforme o mercado) elevou qualidade e dimensão. Os TDCi de origem PSA (1.4/1.6) trouxeram eficiência em auto‑estrada; a ergonomia melhorou e a gama passou a abranger necessidades desde frotas até famílias jovens. [km77 2002] Em 2008, o Fiesta passou a “One Ford”: plataforma B global (B299/B409), desenho inspirado no concept Verve e difusão internacional, com produção além de Colónia e Valência. O comportamento tornou‑se referência na classe; o ESP generalizou‑se e, após 2010, chegaram as versões com 1.6 TDCi 95 cv. Em 2013, um facelift forte trouxe o 1.0 EcoBoost (100/125/140 cv) e a opção de caixa PowerShift (DCT) numa versão 1.0 de 100 cv, além do ST 1.6 turbo. [Wikipedia Mk6; km77 2008/2013] A sétima geração (2017) refinou tudo: interior depurado com ecrã central, mais ADAS (travagem automática com deteção de peões, cruise activo, aviso/assistência de faixa), gama alargada (Active e Vignale) e, em 2020, os EcoBoost MHEV 48V (125/155 cv) com etiqueta ECO no mercado espanhol. O ST passou a 1.5 de 200 cv (3 cilindros) com caixa manual de 6, mantendo o ADN de hot‑hatch puro. [km77 2017; Wikipedia Mk7] A 7 de julho de 2023, a última unidade saiu da linha de Colónia, encerrando 47 anos e mais de 22 milhões de Fiestas. No usado, os 1.0 EcoBoost mantêm-se desejáveis pelo compromisso entre prestações e consumo, devendo respeitar estritamente óleo/intervalos, e os diesel 1.5 TDCi continuam racionais para grandes quilometragens. Em fiabilidade, desgaste de suspensão e casos pontuais de PowerShift (2011–2015 em certos mercados) são os pontos de atenção, tal como a correia “wet belt” nos EcoBoost pré‑2018. [Wikipedia; Autocar; NHTSA/TSB]